Energia cada vez mais cara exige alternativas para consumidores.

Energia cada vez mais cara exige  alternativas para consumidores.

A energia elétrica vai ficar cada vez mais cara, e os preços ao consumidor vão continuar subindo caso medidas importantes não sejam adotadas, não só em relação a planejamentos de longo prazo por parte do poder público, mas também pelos consumidores. Enquanto se discute se racionamento está ou não descartado, especialistasalertam para a necessidade de uma conscientização permanente, e ainda de adequação brasileira às novas exigências climáticas, e também econômicas.

Nesta semana, cálculos da Aneel que indicam que a energia elétrica no Brasil deve aumentar até 40% neste ano, dependendo da região e de outros fatores, ganharam destaque. O custo de termelétricas gerou dívidas, principalmente no ano passado, às distribuidoras de energia, que esperam arrecadar R$ 1,2 bi dos consumidores neste ano. O ministro Eduardo Braga, de Minas e Energia, recomendou que os brasileiros reduzam o consumo de energia elétrica. "Não é racionamento. Nós temos energia. Ela existe, mas é cara", afirmou.

Gilberto De Martino Jannuzzi, professor da Unicamp, lembra que o aumento na conta do consumidor não se trata de novidade, e deve ficar maior como uma característica mesmo do setor, e chama atenção para a falta de planejamento de longo prazo. Investimentos em eficiência energética são urgentes, assim como políticas de incentivo público à geração de energia por parte dos próprios consumidores, por exemplo, devido a, entre vários fatores, limitações impostas pelas mudanças no clima.

"Já era algo esperado esse aumento de 30% a 40%. Menos do que 30% é difícil. Mas isso já era esperado. Há pelo menos um ano e meio todo mundo fala sobre isso. Não chega a ser uma novidade", destaca o professor.

Para ele, o que não se resolveu no Brasil, e é um problema já antigo, são problemas estruturais, resultado da falta de um planejamento de longo prazo. A crise de 2001 poderia ter incentivado algo parecido, o que não ocorreu. "A gente está sempre resolvendo problemas muito imediatos, é um setor de infraestrutura, que precisa de tempo e de uma certa visão. Porque, especialmente quando você precisa de investimento privado, você precisa ter essa estabilidade. O setor de energia demora para recuperar os investimentos feitos."

O setor de energia elétrica tem essa característica de demandar custos sempre crescentes. Um dos motivos é o fato de que todas as usinas hidrelétricas mais baratas já foram feitas. Toda energia adicional, então, vai ser sempre mais cara do que já é. "Esse custo crescente é uma coisa que a gente tem que viver. A gente tem que então pensar em outras estratégias. Talvez a única coisa boa desse aumento crescente é você chamar atenção em relação a investimentos em eficiência energética."

A energia mais cara pode sinalizar para oportunidades de economia. O consumidor pode começar a prestar atenção na compra de equipamentos que consumam menos energia e pode haver uma motivação, também, para a projeção de edifícios que consumam menos. Essas alternativas, entretanto, já deveriam estar sendo preparadas há algum tempo.

Um exemplo de como é importante manter políticas de energia consistentes, que deu certo, é do estado da Califórnia. Mais ou menos do tamanho do Brasil em termos de economia e até de consumo de de energia elétrica, salienta Jannuzzi, o consumidor da Califórnia praticamente manteve estável o seu consumo, sem que isso significasse a redução do crescimento econômico -- resultado de fortes investimentos em eficiência energética. Outros também seguem caminhos eficientes, como o Japão, a Europa e a China, com grandes investimentos em tecnologias eficientes, de energia renovável. 

Além da questão da eficiência energética, Jannuzzi indica que outra saída poderia estar no incentivo aos consumidores, para que tenham sua própria geração de energia, a partir de tecnologias de pequeno porte, como solar e eólica, que podem ser instaladas em prédios e casas. "Aqui no Brasil, nós não temos nenhuma política séria que esteja incentivando esse tipo de participação. Com o aumento do preço da energia, isso vai ajudar, mas precisaria mais do que isso, precisaria aumentar a fonte de financiamento, treinamento também, para você criar firmas que possam dar assistência para os consumidores. Vários países estão preocupados investindo nesse tipo de solução também. Porque essa solução centralizada é uma geração cara."

"O próprio clima, secas e aumento de temperatura estão piorando a nossa situação, por isso que a gente precisa investigar todas as alternativas possíveis. Isso que nós estamos falando de geração distribuída, ou de geração de pequena escala, tem que ser entendida nesse contexto, que justifica você ajudar a viabilizar essas soluções também", ressalta Jannuzzi, que tem realizado, inclusive, estudos na Unicamp para analisar a viabilidade atual do horário de verão. "Até esse tipo de solução, hoje em dia, teria que ser repensado."

Jannuzzi também lembra que o uso crescente de ar condicionado, principalmente considerando o maior poder de compra da população brasileira, pode acentuar o problema. "Nós temos que lidar com tudo isso ao mesmo tempo. O cenário futuro é muito mais complicado, a demanda vai aumentar." 

A solução não vem só da eficiência energética, mas também não vem só de termelétricas, por exemplo. Para Jannuzzi, as alternativas apresentadas no país vêm sendo "mais do mesmo", quando deveriam ser mais criativas, para não comprometer a sustentabilidade do sistema elétrico. 

Mudanças na política de energia renovável para Feed In

Geraldo Martins Tavares, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) com experiência na área de Engenharia Elétrica, com ênfase em Geração da Energia Elétrica, sugere duas coisas para a situação do setor energético brasileiro -- política de uso racional da energia e mudança de política de compra das energias renováveis, de leilão para Feed In.

Ele aponta dois problemas básicos no cenário energético do país. O primeiro é que não podemos mais construir usinas hidrelétricas com reservatórios, o que seria muito justo, inclusive, considerando os impactos ambientais de novas usinas na Amazônia, por exemplo. "A Amazônia é rica em ouro, petróleo, e uma porção de outros metais, que a gente não sabe direito ainda onde está. Além dos recursos biológicos, você tem uma diversidade de plantas, de animais, de tudo, que pode conter remédios para a maioria das doenças da humanidade. Então, a construção de usinas hidrelétricas com grandes reservatórios na Amazônia pode destruir uma biodiversidade que não tem preço."

A alternativa imediata seriam as térmicas a gás natural, mas o país não tem recursos de gás natural para construir na quantidade necessária, restando as térmicas a carvão, que levam de dois a quatro anos para serem construídas, e geram uma poluição muito grande. O que sobra, então, é uma política de incentivo às energias renováveis e ao uso racional de energia. 

Durante o racionamento em 2001, aponta Tavares, economizou-se 30% de energia da carga existente na época apenas com medidas de eficiência energética, como com a simples troca de uma geladeira. "Falta um bom programa de eficiência energética, um marketing pesado nessa área. Com isso, você poderia economizar os 30%, principalmente com o governo dando exemplo."

Sobre a política de energia renovável atual, Tavares sugere que a prática de leilão para a energia eólica, por exemplo, poderia ser substituída por uma política de Feed In -- ele concorda, contudo, com a política de leilão para as fontes convencionais. Na política de leilão ou de cotas, que é a do Brasil, o governo estabelece quanto quer comprar e ganha quem oferece o menor preço. Na Feed In, o governo estabelece o preço que ele vai pagar, e qualquer empresário com uma rede instalada pode se ligar ao sistema. 

Os cinco maiores países em energia eólica usam a política de Feed In -- China, Estados Unidos, a Alemanha, Espanha e Índia. "Todos os outros países do mundo estão passando para o Feed In, ou já passaram. E o Brasil continua na do leilão. (...) O Brasil tem um potencial eólico enorme, que poderia estar ajudando muito, e a um preço mais barato que as térmicas."

"Nós estamos sem chuva. Quando foi concebido o sistema elétrico do Brasil, a gente tinha uma carga e quantidade de usinas que podia levar cinco anos em seca, que o sistema seria suprido. Agora, se você passar um ano em seca o sistema não é suprido, então você não tem como garantir." 

O investimento em energia renovável, entretanto, não oferece tantas chances de acerto como as convencionais, diz Tavares. A saída poderia ser então oferecer um preço atrativo para a energia eólica, e deixar o mercado fornecer o quanto quiser, inclusive para fazer com que o preço abaixe.

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